Domingo, 29 de janeiro: VOAR

Acampamento de Verão
30 anos de Falcão Peregrino
Sorrir, Aprender e Voar é #TDB do Falcão

Domingo, 29 de janeiro: VOAR

O dia amanheceu bonito. Como se a chuva realmente estivesse programada, pois em dia de montagem e desmontagem de campo, não tivemos uma gota se quer.

Logo cedo nos reunimos na quadra para a realização do Culto. Fizemos um pequeno “quebra gelo” em forma de dança circular, e nos comovemos pela milionésima vez neste acampamento, com as palavras cheias de emoção, carinho, reconhecimento, compreensão, agradecimento… De alguém que não pode ser considerada “mãe nova”, pois já faz parte do movimento escoteiro.

Domingo também foi um dia inusitado. Um dia inesquecível (para alguns) devido a um acontecimento inédito. Um dia de muitas risadas, seguidas de preocupação, angústia, preocupações e mais preocupações, e finalmente novas risadas.

Durante a desmontagem da torre, após a aposta do chefe Claudio “se vocês desmontarem a torre antes dos escoteiros desmontarem o campo deles, pago uma coca cola pra cada pioneiro”, o Mindinho (resolveu “voar”, tenho certeza) demorou para soltar um dos pés da torre (enquanto Ed e Kiyoshi a deitavam vagarosamente, o Mindinho e o Kaki faziam contrapeso segurando os dois pés da torre, opostas a sua inclinação) e foi arremessado (quando a torre bateu no chão, o pé da torre o chicoteou – nem sei se esse termo é cabível). Reza a lenda de que ele chegou a dar uma cambalhota no ar antes de alcançar o chão. Levantou-se em questão de segundos, continuou a desmontar a torre e ouvi dizer que ele até palpitou em como desmontar a estrutura.

Quando a Christie, Rebeca e eu acabamos de desmontar as barracas e o Planejar, subimos para ajudar os rapazes a trazer o material para baixo. E quando chegamos lá, o Mindinho repetia a mesma frase diversas vezes. Achamos que era alguma piada, e logo caímos na gargalhada. Porém começamos a nos preocupar quando ele não parava de repetir a mesma frase, e não lembrava onde estava; o que havia comido na noite anterior…

Encaminhamos o Mindinho ao chefe Kuma, que não pareceu tão preocupado quanto nós e disse que logo voltaria a se lembrar de tudo.

A angústia veio quando a cada minuto a mesma pergunta se repetia, como  “eu caí?” “Bati a cabeça?” “Desmaiei?” “Foi muito alto?” “Onde estou?”. Com o passar do tempo, algumas lembranças passavam pela sua cabeça e simultaneamente recuperávamos a tranquilidade.

As risadas reapareceram quando o Mindinho estava melhor e já fazia piada sobre sua situação. Ainda não se lembrava de muita coisa e sempre tínhamos de lembra-lo onde estava, como a queda havia sido, mas já tinha consciência de sua momentânea falta de memória recente. Conseguimos nos divertir com ele, e ríamos do acontecido. Talvez porque finalmente o discurso do chefe Kuma parecia verdadeiro “um dia ele vai se lembrar de tudo”.

O que aconteceu serviu de lição para o clã, em termos de atenção, segurança, amadurecimento emocional (para superar a agonia de vê-lo se comportando como uma criança de 7 anos – não que ele não se lembrasse de nada depois disso. Ele só não sei lembrava do que havia acontecido durante o acampamento, aliás, ele realmente não se lembrava de estar acampando. Mas seu comportamento não era equivalente a sua idade, sem dúvidas). Aprendemos que acidentes realmente acontecem. Aprendemos a ser fortes e…. De soltar o pé da torre antes que ela atinja o solo.

Mindinho, obrigada pela oportunidade de lidar com alguém que não armazena memória recente. Com certeza foi cansativo responder as mesmas perguntas 60 vezes por hora, mas acho que realmente aprendemos com o seu erro (hahaha brincadeira). Só não faça isso de novo. Aliás, não tentem fazer isso em casa, crianças.

Enquanto alguns pioneiros permaneceram com o Mindinho no dormitório, o encerramento foi realizado com a presença de alguns, e outros ainda já ajudavam no churrasco.

Obrigada novamente pela presença, pelo “fazer acontecer” de cada um, pelos agradecimentos, pelas lindas mensagens das tropas Guia e Sênior e do Ricardo (afinal, chorar é #TDB do Falcão não é mesmo, Ricardo?), pela lembrancinha da Alcatéia, pela participação de cada Lobinha, Lobinho, Escoteira, Escoteiro, Guia, Sênior, Pai, Mãe, Chefe…

Uma vez escoteiro, sempre escoteiro.

Um por todos, todos por um.

Nosso lema é

Melhor Possível!

Sempre Alerta!

SERVIR!


“E o fim é belo, é incerto… Depende de como você vê”.

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