“Tomara que sábado chegue logo!”

por Marcelo Hoshiba

No trajeto da escola, ouvi várias vezes as minhas filhas dizendo: “Eu queria que tivesse Escotismo todo dia!”, “Podiam trocar a escola pelo Escotismo.” (E olha que elas gostam da escola!) À medida em que o dia 03 de março se aproximava, mais frases se juntavam às primeiras: “Quero que o sábado chegue logo!”, “Não vejo a hora de começar o Escotismo.”
Após longos meses de espera, enfim as férias chegavam ao fim. Porém, a sensação era a de que as horas ficavam cada vez mais longas, especialmente na última semana.

O melhor momento chegou. Não exatamente o do início das atividades, mas o momento em que os valores do Escotismo passaram a correr pelo sangue das minhas filhas de maneira natural e definitiva. Quando jovem, fui lobinho e escoteiro. Para mim, ir às atividades todo sábado era uma rotina sagrada. Eu adorava. Então, na minha cabeça, a paixão pelo Escotismo à primeira vista deveria ocorrer facilmente com qualquer criança. Infelizmente, com elas não foi bem assim. Ao longo de todo o ano de 2015, quando começamos a frequentar o G.E. Falcão Peregrino, predominavam fortemente as inseguranças (tanto das crianças quanto dos pais), a dificuldade em fazer novas amizades, as festas e eventos de família e escola, que sempre concorriam com as atividades do grupo. Pensamos seriamente em sair, mas alguma mágica aconteceu no final daquele ano e o bichinho do Escotismo acabou picando simultaneamente a família inteira. A bem da verdade, é o jovem que ingressa no movimento, mas ele só permanece por lá se a família o apoia e acredita no Escotismo.

As pessoas costumam brincar, dizendo que lá no Falcão, quando alguém começa a participar um pouco mais ativamente, logo aparece uma pessoa com uma fita métrica na mão para tirar suas medidas para o uniforme escoteiro. Não posso negar que comigo foi mais ou menos assim. Quando percebi, já estava como dirigente, na área de comunicação.

Há muitas pessoas que se engajam ao movimento escoteiro após adultos, outros que percorrem uma longa trajetória desde crianças e outros, como eu, que se reconectam ao movimento com a participação dos filhos. De uma forma ou de outra, somos hoje cerca de 70 voluntários nas funções de dirigentes e escotistas, ajudando o G.E. Falcão Peregrino a voar pelos mais diversos caminhos, dos mais próximos aos mais distantes, dos mais simples aos mais complexos.  Soma-se a essa equipe, mais de uma centena de pessoas que não fazem questão de usar lenço ou uniforme, mas que possibilitam aos jovens as melhores condições para a prática do Escotismo: são os incansáveis pais, mães, avós, parentes e amigos que completam a Família Falcão.

Fazer parte desta família me deixa extremamente feliz. Por isso, voltar às atividades foi bom demais. Rever os amigos, curtir a alegria da molecada, presenciar conquistas importantes, ficar na sede até o último minuto. Assim como as minhas filhas, acho que eu também já não via a hora das atividades começarem.

E nesse momento, sem querer, me peguei pensando sozinho: “Tomara que o sábado chegue logo!”

 

 

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